O iFood anunciou a expansão do uso de drones em suas operações de delivery na Grande São Paulo. Desde 1º de junho, a cidade de Barueri, na região metropolitana, passou a receber pedidos por meio desse novo modal logístico.
A iniciativa busca solucionar um dos principais gargalos do delivery tradicional: rotas com alto índice de rejeição por parte dos entregadores. Segundo a empresa, na região escolhida, quase 50% dos pedidos eram recusados, especialmente em razão da complexidade de acesso e do tempo de espera para entrada em grandes condomínios residenciais.
Barueri foi selecionada justamente por apresentar desafios operacionais relevantes para o modelo tradicional de entrega. A proposta é transformar trajetos antes evitados em operações mais rápidas, previsíveis e eficientes.
O modelo adotado pelo iFood é multimodal, ou seja, combina diferentes formas de transporte em uma mesma operação. O processo começa dentro do Shopping Iguatemi, onde a coleta dos pedidos nos restaurantes pode ser feita por um mensageiro ou pela robô autônoma Ada. Em seguida, o drone realiza o trecho aéreo de 3,6 quilômetros em aproximadamente cinco minutos. Por fim, a última etapa da entrega é realizada por um entregador de moto, responsável por levar o pedido até o consumidor.
De acordo com Mariana Werneck, diretora sênior de logística do iFood, a tecnologia atua de forma complementar ao trabalho dos entregadores, ampliando as possibilidades de rotas sem substituir o papel da pessoa entregadora. A empresa afirma que o objetivo é aumentar a demanda dos restaurantes, ampliar a praticidade para os consumidores e manter oportunidades de renda para os entregadores.
A segurança também é um dos pontos centrais da operação. A rota envolve uma região com alta densidade de tráfego aéreo, o que exige precisão técnica, controle e monitoramento constante.
A aeronave utilizada foi desenvolvida pela empresa brasileira Speedbird Aero, mesma companhia responsável pelo modelo já operado em Sergipe. O drone voa a aproximadamente 50 km/h, em altitude de 60 metros, e suporta condições climáticas adversas, como ventos de até 55 km/h e chuvas leves.
A nova rota foi estruturada em parceria entre iFood e Speedbird Aero e conta com as certificações necessárias da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) e do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA). Cada voo é monitorado pela Speedbird, com acompanhamento de operador responsável pelo percurso.
A expansão do uso de drones no delivery reforça uma tendência de transformação logística no varejo e nos serviços urbanos. A combinação entre robôs, drones e entregadores humanos aponta para um modelo mais integrado, no qual a tecnologia é utilizada para superar gargalos operacionais e ampliar a eficiência das entregas.
Para o setor de saúde e farmácias, esse movimento também merece atenção. O avanço de soluções logísticas automatizadas pode impactar futuramente entregas de medicamentos, produtos de conveniência e operações de e-commerce farmacêutico, desde que observadas as exigências regulatórias, sanitárias e de segurança aplicáveis.
O caso demonstra como a inovação logística segue avançando no Brasil e como empresas de delivery vêm testando novos formatos para atender consumidores em regiões de alta complexidade operacional.