Blog Farmácia Postado no dia: 12 junho, 2026

CRF-SP barra retirada de medicamentos em lockers

Uma rede de drogarias suspendeu a opção de retirada de medicamentos comprados pela internet em lockers após atuação do Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo (CRF-SP) e da Coordenadoria de Vigilância em Saúde (Covisa).

O caso começou após o Conselho receber uma denúncia de que medicamentos adquiridos on-line estavam sendo disponibilizados para retirada em armários automatizados. Um dos equipamentos havia sido instalado em uma estação de metrô da cidade de São Paulo.

Diante da denúncia, o CRF-SP notificou a Covisa, órgão vinculado à Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo, solicitando a apuração da prática e a adoção das providências sanitárias consideradas cabíveis.

Quais foram as preocupações apresentadas pelo CRF-SP?

No ofício encaminhado à autoridade sanitária, o Conselho destacou que a entrega de medicamentos deve ocorrer sob responsabilidade técnica de farmacêutico habilitado e em condições que assegurem a regularidade da operação.

Entre os pontos levantados estão:

  • conservação adequada dos medicamentos;
  • rastreabilidade da entrega;
  • integridade dos produtos;
  • responsabilidade técnica farmacêutica;
  • funcionamento em estabelecimento autorizado;
  • disponibilidade de orientação ao usuário.

O entendimento apresentado é que medicamentos não podem ser tratados da mesma forma que produtos comuns de varejo. Mesmo quando a compra ocorre pela internet, permanecem aplicáveis as regras sanitárias relacionadas à dispensação, armazenamento, transporte e entrega.

Ausência de orientação farmacêutica

Outro aspecto destacado pelo CRF-SP foi a ausência de orientação profissional no momento da retirada.

Nos lockers, o consumidor acessa o compartimento e retira o produto sem contato direto com um farmacêutico. Para o Conselho, essa dinâmica pode dificultar o esclarecimento de dúvidas e a prestação de orientações relacionadas ao uso, conservação e demais cuidados necessários.

A assistência farmacêutica não se limita à entrega do medicamento. Ela também envolve análise técnica, conferência das condições de dispensação e orientação adequada ao usuário.

Os desafios dos lockers no setor farmacêutico

Os lockers são utilizados em diferentes segmentos do varejo por oferecerem flexibilidade de horário, autonomia ao consumidor e redução de etapas logísticas.

No setor farmacêutico, entretanto, a utilização desse modelo exige análise mais cuidadosa. Medicamentos podem depender de condições específicas de temperatura, umidade, proteção contra exposição e controle do tempo de armazenamento.

Também é necessário avaliar quem assume a responsabilidade pelo produto durante sua permanência no armário, como o acesso é controlado e quais mecanismos garantem a rastreabilidade da entrega.

Esses fatores precisam ser considerados antes da implementação de qualquer solução automatizada voltada à retirada de medicamentos.

Um alerta para farmácias e empresas de tecnologia

O caso serve de alerta para farmácias, drogarias, marketplaces, plataformas de delivery e empresas que desenvolvem tecnologias para o varejo de saúde.

A inovação tecnológica pode contribuir para a conveniência e a eficiência do varejo farmacêutico, mas precisa ser estruturada em conformidade com as exigências sanitárias.

O episódio demonstra que soluções logísticas criadas para facilitar a experiência do consumidor podem gerar notificações e interrupções operacionais quando implementadas sem avaliação regulatória prévia.