Blog Farmácia Postado no dia: 20 agosto, 2026

Anvisa aprova caneta genérica de semaglutida

A Anvisa aprovou o registro da primeira caneta genérica de semaglutida no Brasil. O medicamento é produzido pela EMS e foi autorizado como solução injetável em caneta preenchida, na concentração de 1,34 mg/mL.

A aprovação foi anunciada em 17 de agosto de 2026 e representa um novo movimento no mercado brasileiro de medicamentos agonistas do receptor de GLP-1, classe que vem registrando forte crescimento nos últimos anos.

Segundo a publicação, o produto genérico da EMS é indicado para o tratamento de adultos com diabetes mellitus tipo 2 insuficientemente controlado.

Por se tratar de medicamento genérico, a caneta não terá nome comercial, conforme a regulamentação aplicável a essa categoria.

Na mesma decisão, a Anvisa também aprovou o registro de um medicamento similar à base de semaglutida sintética. Esse produto será comercializado pela Germed com o nome Semaclique.

A aprovação do genérico ocorre poucos meses depois de a EMS obter o registro do Ozivy, primeira caneta de semaglutida sintética da farmacêutica aprovada pela Anvisa.

Com o novo registro, a EMS passa a atuar tanto com uma versão de marca quanto com uma versão genérica da molécula, ampliando sua presença em uma categoria altamente disputada.

O movimento ocorre após o fim da patente da semaglutida, em março de 2026, fato que abriu espaço para a entrada de novos fabricantes, desenvolvimento de genéricos e similares e maior competição no mercado brasileiro.

A categoria GLP-1 se tornou uma das mais relevantes do setor farmacêutico. Durante o Abrafarma Future Trends, dados apresentados pela IQVIA indicaram que o segmento movimentou R$ 8,5 bilhões no MAT 2025, equivalente a 6,6% do mercado, com possibilidade de se aproximar de R$ 20 bilhões em 12 meses.

Esse crescimento não impacta apenas a indústria. O varejo farmacêutico também deve sentir efeitos relevantes, especialmente em gestão de estoque, precificação, orientação ao consumidor, negociação com fornecedores e estruturação da jornada de compra.

A chegada da primeira caneta genérica de semaglutida ocorre depois de uma sequência de registros recentes. Em julho de 2026, a Anvisa aprovou cinco novas canetas sintéticas de GLP-1, ampliando o número de fabricantes autorizados a atuar no segmento.

Entre as empresas envolvidas nos registros anteriores estavam Ávita Care, Sun Farmacêutica, Brainfarma, Cosmed e Ranbaxy.

Os produtos aprovados serão apresentados como solução injetável em caneta preenchida para administração semanal. A concentração autorizada é de 1,34 mg/mL.

A Anvisa autorizou apresentações multidose e descartáveis, com variações de volume, número de canetas, aplicadores e agulhas. Entre elas estão apresentações com 1,5 mL ou 3 mL, acompanhadas de canetas e agulhas conforme cada configuração aprovada.

Para farmácias e drogarias, o avanço dos registros exige atenção regulatória e operacional. A aprovação sanitária não significa necessariamente disponibilidade imediata em todos os canais de venda, nem garante redução automática de preços.

A entrada de novos fabricantes pode ampliar a concorrência, mas o impacto concreto para o consumidor dependerá de fatores como produção, distribuição, preço, negociação comercial e abastecimento.

Também é fundamental reforçar que medicamentos à base de semaglutida devem ser utilizados conforme indicação aprovada, prescrição profissional quando aplicável e acompanhamento adequado.

Em razão da alta demanda, a categoria exige atenção especial à procedência dos produtos, fornecedores autorizados, rastreabilidade, armazenamento, validade e orientação farmacêutica.

O crescimento do mercado também aumenta o risco de ofertas irregulares, produtos sem procedência e uso sem acompanhamento. Por isso, farmácias devem manter processos claros de compra, recebimento, dispensação e informação ao consumidor.

Para o setor farmacêutico, a aprovação da primeira caneta genérica de semaglutida sinaliza uma nova fase de concorrência no mercado de GLP-1.

A oportunidade comercial é relevante, mas deve caminhar junto com responsabilidade técnica, segurança sanitária, uso racional de medicamentos e conformidade regulatória.

 

Fonte: Panorama Farmacêutico. Acesso em: 19/08/26.