Blog Farmácia Postado no dia: 5 outubro, 2026

Anvisa investiga doença ocular associada a medicamentos GLP-1

A Anvisa está investigando 13 notificações de suspeita de neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (Noia) em pessoas que utilizavam medicamentos agonistas do receptor de GLP-1, classe empregada principalmente no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade. Segundo informações divulgadas pelo Conselho Federal de Farmácia, os relatos envolvem cinco casos associados ao Ozempic, três ao Wegovy, dois ao Wegovy FlexTouch, dois ao Rybelsus e um ao Mounjaro. Os 12 primeiros estão relacionados à semaglutida, enquanto o Mounjaro contém tirzepatida.

A Noia é uma condição rara provocada pela redução do fluxo sanguíneo para o nervo óptico. Pode causar alteração súbita da visão, geralmente em um dos olhos, e, em alguns casos, deixar sequelas permanentes. A Anvisa ressalta, porém, que uma notificação de evento adverso não comprova que o medicamento tenha causado a doença. Os casos permanecem em investigação e são analisados considerando diagnóstico, relação temporal com o tratamento, outros medicamentos utilizados e possíveis causas alternativas.

A preocupação com a semaglutida não é nova. Em junho de 2025, após avaliação europeia de farmacovigilância, a Anvisa determinou a inclusão da Noia nas bulas de medicamentos à base de semaglutida como uma reação adversa considerada muito rara. A orientação é procurar atendimento médico imediatamente em caso de perda súbita ou piora rápida da visão. No painel brasileiro de farmacovigilância, havia 24 notificações de suspeita de neuropatia óptica isquêmica relacionadas a diferentes classes de medicamentos desde 2018. As 13 notificações envolvendo agonistas de GLP-1 fazem parte desse total, segundo o CFF.

O acompanhamento desses eventos ganha importância diante da rápida expansão do uso dessa classe terapêutica no país. Entre dezembro de 2018 e março de 2026, a Anvisa registrou 2.965 notificações de eventos adversos relacionados a agonistas de GLP-1, sendo 46% delas somente em 2025. A semaglutida esteve envolvida em 58,7% dos relatos. A própria Agência ressalta que notificações espontâneas representam suspeitas e não confirmação automática de relação causal.

Para farmácias e farmacêuticos, o cenário reforça a importância da farmacovigilância e da orientação adequada durante a dispensação. Alterações visuais súbitas devem ser tratadas como sinal de atenção e encaminhadas para avaliação médica, sem que o paciente faça mudanças no tratamento por conta própria. A investigação também demonstra como o crescimento do mercado de medicamentos GLP-1 exige acompanhamento contínuo de segurança. Quanto maior o número de usuários, maior também a capacidade de identificar eventos adversos raros que podem não ter sido observados com a mesma frequência durante os estudos clínicos.

Neste momento, a Anvisa não confirmou relação causal entre todos os casos investigados e os medicamentos utilizados. O acompanhamento médico, o uso conforme prescrição e a notificação de suspeitas de eventos adversos continuam sendo fundamentais para ampliar o conhecimento sobre a segurança desses tratamentos.

 

Fonte: Conselho Federal de Farmácia. Acesso em: 02/10/26.