Blog Farmácia Postado no dia: 7 outubro, 2026

GLP-1 dispara nas prescrições digitais no Brasil

As prescrições digitais de medicamentos agonistas de GLP-1 registraram crescimento de 304,9% em 2025 na comparação com o ano anterior, segundo levantamento da Memed divulgado pelo Panorama Farmacêutico. O resultado marca o terceiro ano consecutivo de avanço: em 2023, o crescimento havia sido de 17,7% e, em 2024, de 29,8%. Os dados fazem parte do Panorama da Prescrição Digital 2026 e mostram a rápida transformação dessa categoria no mercado farmacêutico. Segundo o levantamento, os medicamentos GLP-1 movimentam cerca de R$ 3,8 bilhões por trimestre no varejo, representando mais de 5% do faturamento do mercado farmacêutico.

A disputa entre as principais marcas também mudou significativamente. Ozempic, que concentrava 66% das prescrições digitais em 2022 e 65% em 2023 dentro da base analisada, caiu para 9% em 2025 e chegou a 4% no primeiro semestre de 2026. O movimento contrário ocorreu com o Mounjaro. A tirzepatida alcançou 44% das prescrições digitais em 2025 e chegou a 58% no primeiro semestre de 2026, assumindo a liderança na plataforma analisada. Wegovy aparece com participação de 20%, enquanto Rybelsus representa 7%. O Ozivy, lançado em junho de 2026, registrou 1% já no primeiro mês.

Os dados do varejo acompanham essa mudança. A tirzepatida passou de 51,1% de participação em agosto de 2025 para 69,2% em agosto de 2026, enquanto a semaglutida ficou com 30,3% no período mais recente. O crescimento ocorre ao mesmo tempo em que a fiscalização sobre esses medicamentos ficou mais rigorosa. Desde 2025, a dispensação de agonistas de GLP-1 depende de retenção da receita, com validade de até 90 dias, além da escrituração das movimentações no SNGPC pelas farmácias e drogarias.

A digitalização das prescrições também avança dentro desse cenário. A nova etapa do Sistema Nacional de Controle de Receituários, o SNCR, passou a contemplar receitas eletrônicas sujeitas à retenção, incluindo aquelas destinadas aos agonistas de GLP-1. O processo de implantação prevê integração gradual entre prescritores, farmácias e os sistemas de controle da Anvisa. O levantamento também mostra quem concentra essas prescrições. As mulheres representam 69,33% das emissões digitais da categoria, enquanto pessoas entre 30 e 49 anos correspondem a 54%. Entre as especialidades médicas, endocrinologia e metabologia concentram 77,58% das prescrições analisadas.

Para as farmácias, o avanço dos GLP-1 representa ao mesmo tempo oportunidade comercial e maior responsabilidade operacional. A categoria já possui peso relevante no faturamento do varejo e exige atenção à validade das receitas, retenção documental, escrituração, rastreabilidade e treinamento das equipes. O crescimento das prescrições digitais mostra que a transformação dessa categoria não está apenas na demanda pelos medicamentos. Ela também envolve uma jornada cada vez mais digital, na qual prescrição, dispensação, controle regulatório e dados passam a estar mais integrados.

 

Fonte: Panorama Farmacêutico. Acesso em: 06/10/26.