A Anvisa realizará um webinar para apresentar a atualização do Sistema Nacional de Controle de Receituários, o SNCR, e o novo controle de receituários controlados eletrônicos. O encontro on-line está marcado para 17 de setembro de 2026, às 10h, e será aberto ao público geral, sem necessidade de cadastro prévio. Segundo a Agência, o evento apresentará os novos tipos de receituários que passarão a ser permitidos em formato eletrônico, com controle e rastreabilidade.
A iniciativa é relevante para farmácias, drogarias, farmácias de manipulação, prescritores, autoridades sanitárias e demais agentes envolvidos na dispensação de medicamentos controlados. O SNCR é uma plataforma on-line destinada às autoridades sanitárias locais. Sua função é fornecer uma numeração única, válida em todo o país, para utilização nas Notificações de Receita emitidas por prescritores de medicamentos controlados. Na prática, a plataforma busca padronizar e modernizar o controle dos receituários, reduzindo fragmentações locais e permitindo maior rastreabilidade das numerações utilizadas.
A Anvisa informou que as Vigilâncias Sanitárias continuarão responsáveis pela concessão e pelo controle das numerações. A diferença é que essa atividade passará a contar com o auxílio de uma ferramenta on-line para gerenciamento automatizado dos números. Esse ponto é importante porque preserva a competência das autoridades sanitárias locais, mas introduz uma camada nacional de organização, padronização e controle eletrônico. O avanço do receituário controlado eletrônico pode representar uma mudança significativa para a rotina do setor farmacêutico.
Medicamentos sujeitos a controle especial exigem rigor documental, conferência da prescrição, observância das normas aplicáveis, escrituração, rastreabilidade e guarda de informações. A digitalização desses processos pode reduzir inconsistências, facilitar auditorias e melhorar a integração entre prescritores, farmácias e vigilâncias sanitárias. Para farmácias e drogarias, o novo modelo exigirá atenção aos tipos de receituários autorizados em formato eletrônico, às regras de validação, à forma de conferência das notificações, à retenção ou registro documental e aos procedimentos que serão definidos pela Anvisa e pelas autoridades sanitárias.
Para farmácias de manipulação, a mudança também é estratégica. Preparações que envolvem substâncias sujeitas a controle especial dependem de prescrição adequada e cumprimento rigoroso das regras de controle. Um sistema eletrônico nacional pode impactar diretamente a conferência, o aceite e o registro desses documentos. A medida também pode contribuir para maior segurança do paciente. Receituários eletrônicos tendem a reduzir problemas como ilegibilidade, rasuras, inconsistências de dados e dificuldade de validação da autenticidade do documento.
Além disso, a numeração única e a rastreabilidade podem auxiliar no combate a fraudes, duplicidades e uso indevido de receituários. Ainda assim, a implementação deve ser acompanhada com cautela. A transição para novos modelos eletrônicos exige orientação clara, treinamento das equipes, integração com sistemas internos das farmácias e entendimento dos limites de validade de cada tipo de documento.
Também será importante observar como o novo controle eletrônico conviverá com os modelos físicos atualmente utilizados, quais receituários passarão a ser admitidos em formato digital e quais procedimentos deverão ser adotados em caso de falhas sistêmicas, divergências de dados ou impossibilidade de validação. O webinar da Anvisa será uma oportunidade para o setor compreender a atualização do SNCR e antecipar adaptações operacionais. Farmácias devem acompanhar o tema de perto, especialmente porque medicamentos controlados estão entre os itens de maior sensibilidade regulatória no varejo farmacêutico e no setor magistral. A adoção de receituários controlados eletrônicos tende a reforçar três pilares essenciais: controle sanitário, rastreabilidade e segurança na dispensação.
Para os estabelecimentos, o momento exige preparação. Será necessário revisar rotinas, orientar farmacêuticos e equipes de atendimento, acompanhar os materiais oficiais da Anvisa e adequar processos internos conforme as novas regras forem detalhadas. O avanço da prescrição eletrônica para medicamentos controlados não elimina a responsabilidade técnica da farmácia. A conferência do documento, a regularidade da dispensação e o cumprimento das normas sanitárias continuam sendo indispensáveis.
A diferença é que, com o SNCR atualizado, parte desse controle poderá ocorrer de forma mais padronizada, automatizada e rastreável. A digitalização dos receituários controlados representa um passo importante para modernizar a vigilância sanitária e trazer mais segurança jurídica e operacional ao setor farmacêutico.
Fonte: gov.br. Acesso em: 14/09/26.