A Anvisa voltou a reforçar a fiscalização sobre medicamentos e peptídeos comercializados irregularmente como alternativas para emagrecimento. As medidas atingem produtos à base de tirzepatida e aqueles que alegam conter retatrutida quando não possuem registro, notificação ou cadastro sanitário no Brasil. A distinção é importante: a medida não representa uma proibição geral da tirzepatida. Existem medicamentos regularizados com esse princípio ativo no país, e a própria Anvisa reconhece sua utilização dentro das condições autorizadas. O alvo das ações são produtos sem regularização, de origem desconhecida ou comercializados fora das regras sanitárias.
Em ações recentes, a Agência determinou a apreensão e proibiu fabricação, distribuição, comercialização, divulgação, transporte e uso de diversos peptídeos vendidos pela internet. Entre eles foram identificados produtos anunciados como Tirzegen 60 mg Tirzepatida, Retagen 40 mg Retatrutide e Retatrutide 40 mg, produzidos por empresas sem regularização identificada. O caso da retatrutida exige atenção ainda maior. Segundo a Anvisa, a substância permanece em desenvolvimento clínico e não possui medicamento aprovado para comercialização. Portanto, produtos vendidos ao público alegando conter retatrutida não correspondem a medicamentos regularmente autorizados no país.
A Agência vem intensificando esse controle ao longo de 2026. Operações realizadas em parceria com a Polícia Federal identificaram importação irregular de insumos, produção clandestina e venda de medicamentos injetáveis sem garantia de procedência, qualidade ou esterilidade. Para as farmácias de manipulação, também é fundamental separar a existência de produtos irregulares da atividade magistral regularmente exercida. A Anvisa já esclareceu que a manipulação de tirzepatida não é, por si só, proibida, desde que sejam observadas as condições sanitárias aplicáveis, a origem regular do insumo, a prescrição individualizada e as demais exigências para preparações magistrais.
A fiscalização tem se concentrado especialmente em situações de produção padronizada, venda sem prescrição individualizada, uso de insumos sem comprovação adequada de qualidade e comercialização por empresas ou sites sem autorização para medicamentos. Para pacientes e profissionais de saúde, a orientação é verificar a procedência do produto e sua regularização. Medicamentos adquiridos por redes sociais, vendedores informais ou sites não vinculados a farmácias e drogarias autorizadas podem não oferecer qualquer garantia sobre composição, concentração, conservação ou esterilidade.
O avanço das canetas para diabetes e controle de peso transformou esses medicamentos em um dos principais focos de fiscalização sanitária. Para o setor farmacêutico, o cenário reforça que demanda elevada não reduz as exigências regulatórias: origem do insumo, prescrição, rastreabilidade, regularização e controle de qualidade continuam sendo pontos centrais para uma operação segura e legal.
Fonte: gov.br. Acesso em: 14/10/26.