O Conselho Federal de Farmácia reforçou a importância de os farmacêuticos acompanharem os conteúdos publicados pelas farmácias onde atuam, especialmente em redes sociais, sites e demais canais de comunicação digital.
A orientação está relacionada ao crescimento do uso das redes sociais por farmácias e drogarias como ferramentas de divulgação, atendimento e relacionamento com a população.
Embora esses canais sejam importantes para aproximar o estabelecimento do consumidor, a comunicação em saúde exige cuidado técnico e responsabilidade. Publicações sobre medicamentos, serviços farmacêuticos, produtos de saúde e orientações ao público devem observar as normas éticas, técnicas e sanitárias aplicáveis.
Segundo o CFF, o Código de Ética Farmacêutica, instituído pela Resolução CFF nº 724/2022, estabelece que o farmacêutico deve supervisionar os conteúdos expostos pelo estabelecimento com o qual mantém vínculo profissional em redes sociais, sites e demais meios de comunicação.
Esse dever busca garantir que as informações divulgadas ao público sejam seguras, corretas, éticas e compatíveis com a legislação vigente.
A publicidade de medicamentos também é regulada pela Anvisa. As normas sanitárias proíbem práticas como incentivo à automedicação, divulgação irregular de medicamentos sujeitos à prescrição e atribuição de benefícios sem comprovação científica.
Para farmácias e drogarias, isso significa que postagens, anúncios, legendas, vídeos, stories, banners, mensagens promocionais e conteúdos institucionais devem ser avaliados com atenção antes da publicação.
Conteúdos que prometem resultados, sugerem uso indiscriminado de medicamentos, omitem informações relevantes ou estimulam consumo inadequado podem gerar riscos à população e questionamentos por órgãos competentes.
A atuação do farmacêutico na supervisão da comunicação não deve ser vista apenas como uma obrigação ética. Trata-se também de uma medida de proteção ao estabelecimento, à equipe e ao consumidor.
Na prática, a farmácia deve criar fluxos internos para revisão de conteúdos, especialmente quando envolver medicamentos, serviços clínicos, campanhas de saúde, suplementos, produtos sujeitos a regras específicas ou orientações relacionadas ao uso de produtos.
Também é recomendável manter registros de aprovação, políticas internas de comunicação, treinamento da equipe de marketing e alinhamento entre a área técnica, a gestão e os responsáveis pela publicação.
O objetivo não é impedir a comunicação das farmácias com o público. Pelo contrário: a comunicação digital pode ser uma ferramenta importante para educação em saúde, orientação responsável, divulgação de serviços e fortalecimento da relação com a comunidade.
No entanto, essa comunicação precisa respeitar os limites éticos e legais do setor farmacêutico.
Para o farmacêutico responsável técnico, acompanhar o conteúdo publicado pela farmácia é uma forma de exercer sua função de orientação, prevenção de riscos e promoção do uso racional de medicamentos.
Para o estabelecimento, a medida contribui para reduzir riscos de autuações, denúncias, sanções éticas e questionamentos relacionados à publicidade irregular.
A recomendação do CFF reforça um ponto essencial: no ambiente digital, a responsabilidade sanitária também se aplica. Farmácias devem se comunicar com clareza, ética e segurança, sempre com participação técnica do farmacêutico.
Fonte: Conselho Federal de Farmácia. Acesso em: 20/07/26