Blog Farmácia

10/06/2020

Deliveries de farmácia crescem e escancaram problemas durante a pandemia

A pandemia de Covid-19 provocou alterações em todos os tipos de negócios. A indústria farmacêutica teve que passar por uma adaptação emergencial para o sistema de delivery. Muitas grandes redes brasileiras ainda não contavam com serviço de entregas e pedidos pela internet, o que rapidamente mudou após o isolamento social.

Essa adaptação deu resultado: a procura por itens farmacêuticos já é naturalmente maior por conta da pandemia, e a internet ajudou a alavancar as vendas. De acordo com a Abrafarma, a Associação Brasileira das Redes de Farmácias, o movimento do comércio eletrônico na indústria farmacêutica subiu 72% entre janeiro e abril deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado.

De acordo com o presidente da associação, até o ano passado, menos de 1% das vendas nas farmácias eram realizadas virtualmente, e cerca de 80% das redes nem possuíam este serviço. Hoje em dia, em meio à pandemia, esta modalidade já representa uma boa fatia do faturamento. Segundo o Sindicato do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos do Estado de Pernambuco, atualmente o e-commerce é responsável por 30% do faturamento das redes.

Facilidade do delivery aumenta problema brasileiro

Inicialmente, a maior procura foi pelos itens básicos de prevenção contra o coronavírus, como máscaras e álcool em gel. Porém, com o tempo, o aumento nas vendas acabou escancarando alguns problemas no modo como o brasileiro consome medicamentos. No período da pandemia, as vendas de diferentes tipos de remédios aumentaram vertiginosamente.

Alguns medicamentos analgésicos, como o paracetamol e dipirona, tiveram um aumento de quase 400% nas vendas de fevereiro para março. De acordo com a médica Angélica Collado, consultora do site Saudável&Forte, esse aumento se deve à grande sensação de medo provocada pela pandemia. Ela ainda ressalta que esse medo deixou muito claro um grande problema na saúde pública brasileira: o uso inconsciente de medicamentos, o que pode trazer graves problemas de saúde.

Esses fatores, aliados à extrema facilidade de pedir os remédios por delivery, tornaram esse problema ainda mais preocupante. Além disso, há a questão das notícias falsas ou estudos sem a devida comprovação, que se espalham na internet e de tempos em tempos provocam explosão nas vendas de determinado remédio, como aconteceu com a hidroxicloroquina.

Tudo isso se torna ainda mais perigoso durante a pandemia, já que o coronavírus é muito novo e a comunidade científica ainda não sabe exatamente como ele reage a algumas substâncias.

Uma pesquisa do Conselho Nacional de Farmácia, em parceria com o Datafolha, mostrou que 77% dos brasileiros possuem o hábito da automedicação. Muitas farmácias realizam ações educativas para amenizar o problema – o que também se torna muito mais difícil por conta do isolamento social e do crescimento das vendas online.

Fonte: Administradores – Acessado em: 10/06/2020

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