Blog Farmácia Postado no dia: 20 outubro, 2026

Fim da 6×1: o impacto para o varejo farmacêutico

O fim da escala 6×1 já é uma realidade constitucional e deverá exigir mudanças importantes na operação das farmácias. A Emenda Constitucional nº 141/2026, promulgada em 16 de outubro, garante dois dias de repouso semanal remunerado e reduz gradualmente a jornada máxima de trabalho, sem redução salarial. A primeira etapa começa 60 dias após a publicação da emenda. A partir desse momento, a jornada máxima passa de 44 para 42 horas semanais. Um ano depois, o limite será reduzido para 40 horas, concluindo uma transição de aproximadamente 14 meses.

Para o varejo farmacêutico, a adaptação tende a ser especialmente relevante porque muitas lojas funcionam durante toda a semana e algumas operam 24 horas. Manter a mesma cobertura com menos horas disponíveis por trabalhador pode exigir revisão das escalas, redistribuição das equipes e, em determinados casos, novas contratações. Especialistas ouvidos pelo Panorama Farmacêutico avaliam que o aumento dos custos trabalhistas poderá pressionar as margens das empresas. Farmácias independentes e operações com equipes mais enxutas podem sentir esse impacto com maior intensidade, especialmente quando dependem de cobertura contínua para manter o atendimento.

A possibilidade de reflexos nos preços também foi levantada pelos executivos entrevistados, mas não deve ser tratada como consequência automática. O efeito dependerá da estrutura de custos, produtividade, composição da equipe e capacidade de cada empresa reorganizar sua operação. Nesse cenário, dimensionar corretamente os funcionários passa a ter ainda mais importância. Escalas fixas que não acompanham o movimento da loja podem gerar excesso de profissionais em determinados períodos e falta de cobertura justamente nos horários de maior demanda.

Tecnologia e análise de dados também podem contribuir para a adaptação. Ferramentas capazes de cruzar fluxo de consumidores, disponibilidade dos profissionais e limites trabalhistas ajudam a simular escalas e identificar oportunidades para utilizar melhor as horas disponíveis. A negociação coletiva continuará tendo papel relevante na organização das jornadas, desde que respeitados os novos limites constitucionais. A emenda prevê, durante a transição, possibilidades de organização da jornada por acordos ou convenções coletivas dentro das condições estabelecidas pela nova regra.

Para as farmácias, o momento exige diagnóstico da operação atual: identificar horários de maior movimento, dimensionar equipes, revisar custos e avaliar como a redução progressiva da jornada afetará cada unidade. A mudança não representa apenas uma alteração na escala de trabalho. Para o varejo farmacêutico, ela tende a acelerar discussões sobre produtividade, automação, organização dos turnos e sustentabilidade financeira das lojas diante de uma nova estrutura de jornada.

 

Fonte: Panorama Farmacêutico. Acesso em: 19/10/26.