A crescente atuação de marketplaces na venda de medicamentos tem gerado reações no setor farmacêutico brasileiro. A Abrafarma manifestou preocupação com o avanço dessas plataformas e os impactos regulatórios e concorrenciais associados.
Segundo o posicionamento da entidade, a comercialização de medicamentos por meio de marketplaces levanta questionamentos relevantes quanto ao cumprimento das exigências sanitárias e à responsabilidade sobre a cadeia de venda. O modelo, ao intermediar a relação entre consumidor e fornecedor, pode gerar desafios na definição de responsabilidades técnicas e legais.
A discussão envolve diretamente a atuação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, responsável por regulamentar a comercialização de medicamentos no país. A legislação sanitária brasileira estabelece requisitos específicos para dispensação, armazenamento, transporte e orientação ao consumidor, que devem ser observados independentemente do canal de venda.
Um dos pontos centrais do debate está na garantia de que medicamentos sejam comercializados por estabelecimentos devidamente regularizados, com presença de farmacêutico responsável e cumprimento das boas práticas exigidas. A intermediação por plataformas digitais pode dificultar a fiscalização e o controle dessas condições.
Além disso, a expansão dos marketplaces no setor farmacêutico intensifica a concorrência e altera a dinâmica do varejo tradicional, exigindo adaptação por parte das farmácias e revisão de estratégias comerciais e operacionais.
O cenário evidencia a necessidade de evolução do marco regulatório para acompanhar as transformações digitais, assegurando equilíbrio entre inovação, concorrência e proteção sanitária.
A discussão ainda está em curso e tende a ganhar relevância nos próximos meses, à medida que o mercado digital continua a se expandir e novas formas de comercialização se consolidam no setor.